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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Sr.Rui-homenagem

Sr.Rui-homenagem
“Quem conta aumenta um ponto”, mas esta é uma história verdadeira e que pode começar como todas as histórias infantis: “ERA UMA VEZ...”.
 -SENHORAS E SENHORES! Agora, com vocês, os melhores palhaços da atualidade: GELEIA E MALUQUINHO.
E lá vinham eles, dando piruetas, provocando riso, agradando crianças e adultos. As peripécias infantis não escondiam a vontade de ser um artista de circo, de correr o mundo nas lonas de um picadeiro.
-“O palhaço o que é?”
-“É ladrão de mulher.”
 Aquele mundo atraia Geleia e o transportava a lugares onde a alegria era a única companheira. E ele, adolescente, pulava, girava, sorria. O mundo lhe pertencia e era o lugar onde desde pequeno quisera estar. Desde criança adorava tudo que o tirasse da mesmice do dia a dia: o parquinho que chegava ao povoado com seu carrossel que girava, girava provocando gritos e sensação de liberdade. A roda gigante também era parceira e, com ela, ele ia conquistando as meninas de sua idade.
Geleia e Maluquinho era o sonho realizado.  Trabalhar no circo! Essa vontade de alguma forma ter o controle de seu destino é que o fazia sonhar desde os tempos de moleque. Fora uma criança arteira, desassossegada. Fugiu várias vezes quando criança; pegava o trem e ia a São Paulo, deixando os pais desnorteados. No final do dia estava de volta pronto para o castigo. O desejo acalentado há tanto tempo, finalmente, ao alcance das mãos.
Naquela manhã, o impossível aconteceu: O circo estava na cidade e recrutava artistas para diversos papeis. Era um desafio a vencer.
O pai faleceu cedo, mas a mãe o trazia a “rédeas curtas”. Viúva, a ela cabia a educação dos filhos e Nego, como era chamado em família, passava por vários apuros, porque era o que dava mais trabalho: a algazarra com os amigos, as notas regulares, o namorico adolescente. Tudo isso o levou para o trabalho bem cedo, como funcionário do Diário da  cidade.
 -Quem sabe adquire assim mais responsabilidade e jeito- diziam os pais.
Aos 16 anos já havia conquistado aquela que seria sua companheira por toda uma vida: a Darci. Darci era uma adolescente de 12 anos. Do namoro ao casamento foram quatro longos anos. De família humilde, Darci conhecia bem a luta do dia a dia. Desde cedo trabalhou fora para ajudar a família. Juntos iriam unir esforços. Casaram-se, Nego tinha apenas 20 anos.
Só aí que o Geléia da infância percebeu que o papel de palhaço não lhe cabia mais: na nova vida era preciso “matar um leão a cada dia”, o seu novo papel estava mais para “domador de feras”. Equilibrista na vida, Nego sabia que o picadeiro seria só em sonhos, pois a nova vida era preciso responsabilidade.  A esposa teve que deixar de trabalhar para cuidar dos filhos e eles foram chegando um atrás do outro: Rui Carlos, Roberto e Sérgio. O dinheiro foi diminuindo, as despesas aumentando. Nesta época, já trabalhava no DAEE, como funcionário público e, por isso, o casal teve que mudar para Casa Grande, um distrito de Mogi das Cruzes. 
A vida não foi fácil, Nego sentia o que era ser pai de família. As brincadeiras, o bar com os amigos, tinha que ser repensado. Duas mulheres foram fundamentais para que ele se tornasse o homem de hoje: Dona Lúcia, sua mãe, e Dona Darci. As duas se uniam se as coisas não andassem no devido lugar. E Nego não tinha alternativa, a não ser mudar de rumo. Errou, acertou, mas continuou a sorrir... 
 Nego mesmo com pouca idade, era um pai exemplar. Quantas vezes, quando os filhos adoeciam, sozinho os levava para São Paulo em busca de socorro. Hoje, eles reconhecem o sacrifício que o pai nunca deixou de fazer e isso serve de exemplo em suas vidas. Quando os dois mais velhos precisaram estudar o ginásio (como era chamado a quinta série do ensino fundamental), tiveram que deixar Casa Grande e morar na casa de parentes: O Rui Carlos com a tia Tereza, o Roberto com a avó materna. Os pais “morriam” de saudades; na época era muito difícil o transporte de ônibus. A saudade aumentava a cada dia e conscientes que o melhor era a família novamente junta, quando o Sérgio terminou a 4ª série, todos vieram morar em Mogi das Cruzes. Nego veio transferido para o DAEE de Mogi das Cruzes.
A vida começava a melhorar. A esposa companheira das lutas e dos sacrifícios começou a trabalhar como cabeleireira e os meninos, já adolescentes, ajudavam financeiramente nas despesas de casa. E assim, Nego foi percebendo o quanto era importante para a família que construiu. Como eram especiais seus exemplos de vida na formação de seus filhos. Foram barreiras vencidas, obstáculos superados.
            Já aposentado continuou a ajudar a esposa nos afazeres domésticos: na cozinha, com suas farofas, seus pudins; nas compras de supermercados... Hoje, é um homem feliz e realizado. Feliz porque plantou alegria. E essa alegria, distribui a sua bisneta, Valentina, aos netos e filhos e a toda a vizinhança. Sempre está com uma criança no colo, fazendo-a sorrir tal qual o palhaço Geléia que representava na adolescência:
            É com orgulho que seus filhos o estão homenageando neste seu aniversário. Valeu Sr.Rui! 
            -Senhoras e Senhores, bem vindo ao Circo da Vida: o Palhaço Geléia está completando 80 anos.   Sejam felizes, a alegria não cobra ingresso.
            Para terminar, um pensamento de Mário Lago que parece traduzir a vida do Sr. Rui nestes 80 anos:
“Fiz o que quis e fiz com paixão.
Se a paixão estava errada, paciência.
Não tenho frustrações...
Não fiquei vendo a vida passar,
Sempre acompanhei o desfile”.
            O circo da vida se encerrou em 28/09/2016. Aos 82 anos, em setembro, a voz e as brincadeiras de geleia já eram saudades, mas no coração dos que o amavam ficou e sempre ecoará no picadeiro dos sonhos.
             Adeus Geléia, adeus Ruy Gilberto Vieira, seja feliz no circo dos céus onde a alegria reina para sempre. E, como última homenagem, a música que gostava tanto de cantar:
“Tá tá tá tá na hora,
Po pó pode tudo agora,
Sou mo mole pra falá
Mas sou um pintacuda pra beijá”
Tá na hora de ir embora, mas no coração de todos que o amavam continuará sempre presente. Tchau. Seja feliz eternamente.

Hoje, um ano de sua partida. Só restam as lembranças alegres.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A vida é assim...

A vida é assim...
Viver é uma constante metamorfose de acontecimentos nem sempre felizes. Há dias em que tudo parece desabar; a autoestima responsável pelos avanços da humanidade, nos deixa frágil; vai embora. Nesses momentos o sol permite que uma névoa fina cubra nossos pensamentos e nossa vida com lágrimas de orvalho. A alma chora.
 Tudo conspira contra nós, nada faz sentido, as forças abandonam o corpo dorido. É nesse momento, qual Fênix, precisamos renascer das cinzas e recuperar a vida. Abrir portas e janelas e permitir que os raios de sol penetrem pelo nosso corpo e ache a chama que persiste dentro de todos nós. Se permitirmos, esses raios virão abrindo nossos olhos para outras expectativas, reformulando problemas, refazendo conceitos, escrevendo uma nova história ou reescrevendo aquela já antiga, mas que vale a pena ser revivida.
                Vamos permitir ser feliz! A oportunidade acontece a todos, basta procurar em cada um. Não tenhamos pressa em conseguir, novamente, ocupar nosso lugar no mundo ou nos sentimentos de outrem; ninguém tira o que nos pertence e cada um de nós será capaz de reescrever sua história. Ela só deve ser interrompida por Aquele que lhe proporcionou a vida como empréstimo.
                Enquanto isso, vamos cantarolando os versos que o poeta, magistralmente, nos escreveu “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita...”Leone A.Vieira

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Dia dos pais

PAI..

            Pai, aquele que Deus escolheu para representá-lo aqui na Terra, na difícil tarefa de educar os filhos. Voltamos a lembrar, como já fizemos aqui, que filhos não são nossa propriedade, mas apenas estão sobre a nossa responsabilidade.
            A primeira ideia é que ser pai nos dias de hoje, não é uma tarefa nada fácil, mas é muito bom, bom demais. Ser pai não é apenas a colaboração no ato da concepção, nem estar presente na hora do parto, para sair na fotografia ou no filme. Ser pai é ser um parceiro pra vida toda, nos bons e maus momentos. Sabemos que Amor, compreensão, tolerância e diálogo não devem faltar para que o resultado seja o melhor possível.
            Lemos em inúmeras literaturas que um ambiente familiar saudável, com valores e preceitos pré-definidos, uma conduta adequada diante dos problemas que surgem no dia a dia ajudam na difícil tarefa de educar. Mas, para a maioria da população isto é utopia, algo que simplesmente não se tem.
            Nos dias de hoje, a luta pelo pão de cada dia está cada vez mais difícil. Difícil educação de boa qualidade, lazer, saúde, difícil bons exemplos nesse mundo moderno. Lógico, as prioridades mudam de família para família.
            Com certeza se perguntar a um filho o que ele considera importante para ser um bom pai, ele dirá que é estar presente, nos bons e maus momentos; ser amigo, parceiro, alguém que ele possa confiar e contar quando precisar.
            Na maioria das vezes, salvo exceções, a criança vê o pai como herói, como o que sabe tudo; o adolescente o vê como inquisidor, o que cobra, o que não o deixa fazer o que quer; o filho adulto passa a reconhecer tudo que ele fez e a lhe dar valor. Aos poucos, com suas próprias prioridades, o pai vai ficando em segundo plano.
            Saber dessas fases, compreender e fazer com que essas situações não fiquem fora do controle é SER PAI. Saber o momento que o filho deve abrir as asas, decidir seu próprio destino, às vezes diferente do que queremos, é também SER PAI.
            SER PAI também inclui prepará-los para serem pais de seus filhos amanhã e para, quando velhinhos, nos tornarmos filhos novamente e eles nossos pais.
            Chego à conclusão que, na verdade, certas estão as crianças. É preciso ser super herói,           porque a vida nos dá algumas pistas, mas não nos dá a receita a ser seguida. A fórmula exata não existe. Não existe receita para a vida.
            Bom mesmo é a sensação da MISSÃO CUMPRIDA, vendo os seres humanos que nossos filhos se tornaram e que fizemos o nosso melhor, que conseguimos a dose certa que não tinha receita e aqui estão eles, com muito orgulho e com a nossa colaboração. Conseguimos... NOSSOS FILHOS... NOSSOS AMADOS FILHOS.
            Que São José, pai de Jesus, ajude os pais a encontrar sempre esse caminho... O MELHOR CAMINHO.  


  

Oração dos pais-2

Oração dos pais.
                                                                           
              Pai Eterno, neste dia que nós homenageamos os pais aqui presentes, queremos agradecer por nos ter escolhidos para esta missão, responsabilidade esta que desejamos cumprir com sabedoria.
              Inspirados no exemplo de São José, seu pai e tutor aqui na Terra, queremos ter a paciência e a hombridade de aceitar os desígnios que a vida nos apresentar e ao mesmo tempo ser o exemplo de conduta necessário para que os nossos filhos sigam o caminho do Bem, da Justiça e da fraternidade.   
           Pais que somos, ajude-nos a Fazer a Diferença na família, na comunidade e junto aos nossos companheiros de Clube. Que nossos filhos nos vejam como amigos e que se fortaleçam os laços de união entre pais e filhos.
            Ensine-nos a deixá-los seguir adiante, quando a necessidade da conquista, do desejo de decisão se fizerem necessários para a condução das rédeas da sua vida. Torcer pela sua vitória, mas se algo der errado, queremos ser a mão que ajuda a corrigir o passo.
             Mostre-nos como ser PAI e, se falharmos, imperfeitos que somos, mostre-nos o caminho para a conduta mais correta.  
            Obrigado pelos nossos filhos, eles são a nossa vida e o orgulho de nossos dias. 
         Olhai pelos pais que já se foram, que sigam o caminho de luz e continue nos abençoando aqui na Terra.                                                                                                                                                                                                                                                                                      Amém.

Parabéns a todos os pais: de sangue ou de coração, nesta difícil missão de ajudar a construir um futuro melhor a nossos filhos.   

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Recordando você.

TESTE                                                 Recordando você!

                      Tá difícil entender como tudo aconteceu. De repente, a saudade me faz voltar ao tempo em que vivemos as mesmas dificuldades e angustias e porque não esparsas alegrias conquistadas pelo convívio de seus atores.  Tínhamos uma mãe que nos amava por atitudes, nem sempre por gestos ou palavras, mas no cuidar, principalmente no enfrentamento dos males acometidos na infância, quando ficava rezando e cuidando pra que nada acontecesse com seus filhos. Quantas vezes tivemos o privilégio de ter uma mãe cuidando para que o mal não nos abatesse. Era ela a guardiã de nosso sono, no controle das febres e nos banhos de imersão. O seu amor transcendia e se repartia para atender os filhos.
                     Você foi o sexto dos dez irmãos. Era muito tímido e, lembro-me quanto medo eu tinha que você se perdesse quando saíamos juntos. Nossa mãe sempre trazia outro filho nos braços e você, quase sempre, vinha sendo puxado por meu pai ou pela irmã mais velha.  Você foi o primeiro homem, depois de cinco irmãs, e nem por isso foi poupado da rigidez paterna, culturalmente natural na época, e que só o tempo tratou de nos mostrar o porquê, diante das dificuldades que a família vivia. Nós dois, em tempos diversos, nos reconciliamos com o passado e aprendemos a admirar aquele que viveu para cuidar de todos nós. Restitui a figura do pai herói depois que, já adulta, conseguir entender com maior clareza os seus motivos e conduta. Grande pai!
                      Lembro-me de levá-lo à escola no seu primeiro dia de aula. Era uma criança carregando outra pela mão. Minha mãe estava cuidando dos menores, as mais velhas trabalhavam ou estudavam em horário diverso do nosso, e a responsabilidade coube a mim. Fui puxando você até a sua sala de aula. Você não queria entrar, não queria sentar, até que a freira fez você sentar. Sai com o coração na mão de vê-lo tão abandonado, a mercê de uma classe que considerava inimiga. Você custou a se adaptar e deve ter sofrido muito.
                O tempo passou e quando, eu estava lecionando, lhe falei sobre um concurso para, na época, auxiliar de secretaria da escola estadual; você concordou. Foi aprovado e, talvez, a partir daí, você tenha se libertado das amarras que lhe aprisionavam na timidez de seu corpo. Ao longo do tempo todas as dificuldades físicas foram superadas e surgiu o Zé Secretário. Esse envolvimento mais radical, a dedicação sem medida e a roda no barzinho com os amigos rendeu a nossa mãe, rezas e preocupações.
                      Você, Zé Secretário era marrento, aprendeu com a vida a lutar pelos seus direitos e tinha sonhos esquerdistas de se opor ao governo repressor. O Zé secretário das lutas sociais, das paralisações, da cervejinha com os amigos, do confronto. O Zé que participava das ações que acreditava. Filiou-se ao partido dos trabalhadores, onde foi um companheiro incansável de luta. Acredito que hoje, o partido perde o seu mais fiel companheiro.
                  Confesso que, mesmo tendo os mesmos ideais de um país mais igualitário, as nossas visões de mundo não combinavam. Não compactuava do radicalismo de suas ideias e as formas de resolver as questões sociais e políticas, às vezes de forma mais agressiva e passional, mas isso nunca diminuiu em nada o amor de irmãos. Esse que se preserva no coração e nem a ação do tempo ou as vicissitudes da vida consegue apagar.
                     Hoje, com o distanciamento do tempo, arrisco a dizer que me pareço muito com você. Sempre gostei de escrever textos e poesias sociais e políticos onde imprimia a minha revolta contra o regime em pauta, mas nunca me filiei a qualquer partido. Participei de greves da categoria, mas nunca empunhei bandeira ou participei de confronto político e quando percebi que nem todos aceitavam opiniões e pensamentos divergentes e que, em muitos casos, isto era motivo de término de amizade pessoal ou familiar, priorizei minhas ações. Prefiro colecionar amigos e família a perdê-los por ser contrária e divergente nas opiniões. Afinal, cada um tem no pensamento e no coração as suas próprias crenças e opiniões e já passou a minha fase de ideologia de lutas pelos oprimidos, prefiro ações mais pontuais e concretas. 
                     Há muito desisti de por no papel o que penso e acredito. Hoje, elejo o silêncio como meu companheiro de luta e a desilusão por toda classe política me faz ficar longe de qualquer pensamento mais radical de luta. Penso que é no voto que o brasileiro vai poder se rebelar e mostrar a que veio. Eu evitava discutir isto com você, sabia que não concordaria comigo.
                   Outra coisa que nos assemelhava era gostar de escrever. Neste "querer literário" me parecia com você. É claro que a sua verve literária nada se compara com a forma tacanha que me expresso em prosa ou verso. Você, Zé literário, é um autor introspectivo, detalhista e até, muitas vezes, de difícil compreensão, devido à maneira tão própria de se expressar. Seus versos são marcados por dilemas de uma adolescência sofrida e a resposta, muitas vezes agressiva, de incompreensão e rebeldia. Seus contos e livros, fictícios ou não, retratam vocabulários rebuscados, nem sempre usados no dia a dia, mas que denotam um autor de capacidade intelectual acima do normal. Mas, com certeza, se analisado por escritores de renome, estará na lista de grandes autores.    
                 Mas, fomos parecidos em muita coisa: na timidez quando criança e adolescente, nos “bullying” sofridos na escola, no surgimento da vontade política de ajudar o mundo, no comprometimento literário e de sempre retornar as raízes familiares e procurar a compreensão da nossa história. Na verdade, irmão, tínhamos os mesmos sonhos, mas não o mesmo modo de agir. Éramos semelhantes no amor pela família e nos conceitos éticos e morais transmitidos por nosso pai. Não faltávamos nos Natais e festas e reuniões familiares na casa de nossos pais, mesmo quando o Natal passou a ser em  minha casa, você fazia questão de estar presente. 
                     Havia respeito entre nós em relação à família e religião. O seu ceticismo em relação às regras pré-estabelecidas, não o impediu de constituir família, ter filho e ser um pai exemplar. Quando a infelicidade bateu a nossa porta, com a perda de nossos pais e de nossa irmã que tanto sofreu, o sofrimento nos uniu e deixou ainda mais forte os laços que existiam entre todos nós. Éramos dez e agora somos oito, mas continuamos dez em nossos pensamentos.
                      O que mais me incomodava, era o fato de você dizer que não acreditava em Deus. Era ateu. Você foi criado no lar estritamente religioso, foi batizado, crismado, fez sua primeira comunhão e foi coroinha nas missas de domingo. Não sei quando você deixou de acreditar em Deus, mas sempre vi em seus atos, a presença dos ensinamentos cristãos. Jesus pediu para amarmos uns aos outros, como Ele nos amou. E você seguiu a risca esse ensinamento: amou seus irmãos, acreditou nos amigos, tentou melhorar a vida do brasileiro. Foi honesto, corajoso e revolucionário das causas sociais. O seu ceticismo religioso, não o fazia materialista, mas o fazia um defensor de suas ideias ateístas. Hoje, perdi um irmão e a sociedade perdeu um defensor das causas que acreditava.
                       Se me distanciei de você por nossas atitudes conflitantes, não me distanciei de você no meu coração. No coração, você continuou a ser o mesmo menino que eu tinha medo que se perdesse quando saíamos com a família para passear. Aquele que eu queria ajudar, mas que muitas vezes não concordava com suas opções e com o modo radical com que encarava a sua vida.
                    No meu pensamento, você foi para o Céu e lá, ao se encontrar com Deus, ainda sem acreditar na vida após a morte, verá o Criador que lhe dirigirá a palavra:
                        - Seja bem vindo, companheiro!
                        - O que faço aqui? – responderá incrédulo.
                        O Senhor, que sempre é misericordioso, dirá:
                      -José Benedito de Oliveira Araujo, há tempo você diz que não acredita em Deus, mas Eu nunca deixei de acreditar em você.


Menos que nada

        

                                                           Menos que nada!

          Não somos nada! Como disse um filósofo, somos um pontinho preto, minúsculo, na imensidão do firmamento e, mesmo assim, nós consideramos grandes, altruístas e merecedores das melhores coisas. Somos super, mega e indestrutíveis! Somos os melhores, damos opiniões, prosperamos e conseguimos metas.
         Mas, a vida nos dá rasteiras e, constantemente, nos mostra nossa insignificância .  Quando isso ocorre, percebemos-nos incapazes de gerenciar nosso destino e vemos que colecionamos perdas, frustrações e saudades. Aí nos sentimos derrotados e incapazes de nos erguer novamente. É a depressão que muitas vezes chega sem dar alarde.
          Nosso Pai, ciente de nossas fraquezas, nos possibilita o encontro do caminho, do retorno ao eixo do equilíbrio, ao encontro dos sentimentos que nos humaniza e nos torna irmãos. O maior destes sentimentos é o Amor, pois dele emana a fraternidade, o bem querer, o reconhecer do outro.
           É este sentimento, que nos faz transitar para o Bem ou para o Mal. Sem o Amor, nos sentimos mesquinhos, ingratos e intolerantes. E, com certeza, mais longe dos caminhos do Criador. Encontrar o significado da nossa vida, é o nosso desafio. Conhecemos o valor da família, o amor pelos filhos, mas longe do convívio familiar, em um sentido mais amplo, qual é o nosso papel? Que papel desempenhamos na sociedade? Estamos sendo merecedores da Vida com que o Pai nos presenteou?


terça-feira, 26 de maio de 2015

Alguém especial!

Alguém especial

Um dia, ela partiu. Criou asas. Voou para algum lugar no Universo, mais perto do Criador, quem sabe uma estrela. Lá de cima, junto aos pais que já partiram, poderá observar e proteger os que lhe são caros.
Aqui na terra, viveu um bom combate. Lutou e defendeu tudo que acreditava: sua crença, sua justiça, sua ética e cidadania. Errou, acertou, se desculpou, perdoou. Com defeitos e qualidades, como todos, experimentou sentimentos conflitantes, mas também conheceu o amor.
Não passou pela vida, viveu! Como tronco de uma árvore, deu frutos e defendeu seus ramos em todas as situações e intempéries da natureza. Era o seu mundo particular, formado a partir de si. A sua maior herança.
Mas, a vida também foi muito difícil e a luta por ela, um verdadeiro combate. Lutou e resistiu o que pode. É claro, que sempre contou com ajuda e ternura dos que caminharam a seu lado.
Mas, um dia, depois de tanta dor, conheceu a santidade dos que sofrem e, irremediavelmente, teve que partir. Seu lugar não era mais aqui.
Cedo demais para os que ficaram; tanta coisa ainda a realizar!  Mas não havia jeito. As asas começavam a incomodar.

  

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Dia das mães

DIA DAS MÃES!

 Esta data me remete, imediatamente, a minha mãe que já partiu; penso que outros filhos aqui presentes, comungam do mesmo sentimento: a saudade eterna da mãe que não está mais aqui.È difícil acostumar-se com a ausência. Há uma definição do Dr. Rogério Brandão (médico oncologista) que diz “saudade é o amor que fica”; para mim essa é a definição mais completa de saudade e acrescento: feliz é o que parte deixando aqui na terra a saudade, pois, na verdade, deixa amor.
Mas, o dia de hoje é também de alegria porque homenageia a mãe de todos os filhos, independente da idade, classe social ou financeira, que vencem barreiras, às vezes, se abdicando da própria vida, sempre na busca da felicidade da família. Cada uma é uma figura ímpar e merece o nosso carinho e afeição. Muitas, por diversos motivos, não são lembradas e nem elogiadas nesta data, mas este dia também pertence a elas. Também não podemos nos esquecer dos pais que por contingências da própria vida, tornam-se também mães e desempenham com galhardia sua missão.
A figura materna continua representando o equilíbrio e vértice principal no desenho da família moderna. Sem a mãe que direcione e oriente, ajudando o pai e a escola na formação das novas gerações, esse caminho será, com certeza, mais difícil e menos humano. Se o pai é a base, o alicerce e o espelho do filho, a mãe é a fortaleza, a ternura e o mais humano da relação, independentemente, da forma como o filho lhes foi apresentado: concebido naturalmente ou fruto de adoção.
Quando optamos por uma determinada forma familiar, é imprescindível a comunhão de valores entre o par, sejam eles morais, intelectuais ou éticos. É aí o maior desafio. Não estamos escolhendo somente um amor, um companheiro ou companheira, parceiro ou parceira, estamos escolhendo alguém que junto conosco conduza a nossa família, administrando, gerenciando e distribuindo igualmente as obrigações familiares.
Com o nascimento de um filho nasce também uma nova mãe que terá a parcela de responsabilidade dividida com o pai, desde a gestação do filho até a idade adulta, atendendo em sua dependência física, psíquica e intelectual.
Esse trabalho não é simples, nem a escolha desta parceria é fácil. Mas, o desafio e a forma de conquistar esse objetivo pertencem a cada um. A resposta deve ser dada pelo nosso coração. É preciso ouvi-lo sem pressa para que o resultado seja o caminho para a felicidade.
Que Deus ilumine sempre o nosso coração e o caminho de todas as mães lhes dando força e sabedoria na direção a seguir. Feliz Dia das mães a todas nós!


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

mensagem de Natal

Natal
O que é o Natal? O que representa esta data para cada um de nós?
O Natal é o nascimento de Jesus. Ele é a estrela da festa, a estrela de Belém. Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar a vida que nos convida a refletir sobre a união, o companheirismo, a família. Que neste Natal, a alegria do encontro faça a celebração da vida. Celebrar a vida é se permitir ser feliz! 
Natal é a festa que simboliza a união das famílias através do Nascimento de Jesus e que traz de volta antigas promessas de um mundo melhor, mais humano e fraterno.  Natal é tempo de amor; Natal é tempo de Fé. É o estreitamento da amizade entre o Criador e sua criatura. É tempo de pensar no próximo, como já dizia o festejado aniversariante: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”.
Por isso presenteie, se puder, mas acima de tudo abrace e mostre o que vai ao seu coração. O melhor presente são atitudes de amor e solidariedade. Neste sentido, ser benevolente é ter espírito de Natal.
As mãos unidas em oração representam a fé, as mãos entrelaçadas com o próximo representam a união e se esta corrente não se quebrar, conseguiremos abraçar o mundo e torná-lo mais humano. Vivenciar o Natal, no seu sentido mais amplo, é se conduzir e deixar-se renascer para a esperança e superação dos problemas. E nesta visão positiva, o mundo será melhor.
Essa alegria será o ponto de partida para um Ano Novo mais feliz. O futuro virá abrindo seus olhos para outras expectativas, refazendo sonhos e conceitos, contando uma nova história ou refazendo a sua antiga, se esta valer à pena.
 Que as promessas do Natal se tornem realidade neste novo ano!
A todos um Feliz Natal e um Novo Ano com muita saúde, amor e paz! ESTE

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pensando bem...

Pensando bem...
Ontem, senti que a luz no fim do túnel tinha se apagado. Alguém tinha se esquecido de pagar a conta ou o dinheiro tinha se esvaído nas mãos da corrupção. Eu que tinha insistido e pensado que o Brasil podia melhorar, tinha jeito, estava com a chave na mão pronta a fechar a porta, mas não houve saída. O sopro de esperança na democracia se findara. Estava decepcionada e infeliz.
Hoje, sei que faço parte de quase metade da população que optou por uma mudança na condução dos rumos do país e sinto orgulho em ter participado desse momento histórico. Sei que “somos responsáveis pelas nossas opções e consequências de nossos atos” e me sinto menos responsável quanto ao futuro do país. A vida continua e, se mais da metade dos brasileiros acham que está tudo bem, quem sou eu para discordar.
Este é o meu país e é nele que vivo com minha família. Foi aqui que cresci como pessoa e tentei passar aos meus filhos valores éticos e de cidadania. Eles sabem que qualquer atitude, seja certa ou errada, terá uma resposta de igual valor. Isto é livre arbítrio, o direito de decidir de acordo com nossa consciência. Isto também se aplica ao povo e a democracia. O voto é a ferramenta para a nossa opção. O seu voto vale tanto quanto o de qualquer outra pessoa.  Respeitar o direito de escolha é o sensato.
Mas, para você que pensa diferente, respeite o meu direito de discordar: as mudanças são importantes quando sonhadas por muitos. Você pode não concordar, mas, enfim, quem vai sair para trabalhar, pagar as contas, ser feliz ou sofrer por seus problemas é você. Somos individuais dentro do coletivo; temos nossa própria história e dentro dela as pessoas que amamos e as que dependem de nós, mas a conseqüência de nossas escolhas é nossa.  
O sonho era um País de “cara nova”; a oportunidade era essa. Agora, só nos resta fazer a nossa parte no mundo, da melhor maneira possível, e não teremos tempo para sofrer pelo que não tem jeito.  Estou tentando me convencer disto! A vida continua.

 “Cada um de nós compõe a própria história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz”.(Almir Satter)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Homenagem aos amigos professores

                 Homenagem ao amigo professor!

Meu sonho profissional sempre foi de ensinar, fazer a diferença para alguém. A carreira de professor, na época, foi a que mais atendia essa minha vontade. Ser professor há muito era um desafio e eu queria ser a melhor. Mesmo coadjuvante em um sistema educacional complexo, onde há uma hierarquia nem sempre preocupada com a qualidade, tenho convicção que dei o melhor na minha trajetória como educadora. Inexperiente, tímida e, às vezes, amedrontada pelo poderio da máquina educacional, tentei traduzir aos alunos, além do conteúdo programático, lições de vida, cidadania e inclusão social.
Como professor, pude verificar a alegria no olhar de cada aluno nas atividades diferenciadas em sala de aula. Teatro, contos, poesias e encantamento era a rotina diária de sala de aula. E os alunos me presenteavam com o conhecimento adquirido. Era muito bom ser professora de turmas tão especiais. Trago na lembrança e no coração cada palavra de carinho e admiração de alunos e também de colegas que me incentivaram a continuar e acreditar que fazia a diferença na vida de alguém. Com esses colegas muito aprendi e trago na lembrança o nome de cada um (Elizete, Akemi, Cleide e tantos mais). Eu era professora! Como era bom trabalhar no “Carlos Molteni”!

Houve um tempo que a vida me levou a caminhos diferentes e fui diretor de escola e, com o mesmo entusiasmo, queria ver a alegria das minhas aulas no dia a dia de meus professores. Muitos não me decepcionaram e tenho na lembrança momentos maravilhosos com pessoas que escolheram o magistério por amor. Algumas são minhas amigas do  face (Bete Ollertz, Marli Giannella ), outras(os), não os nomearei por falta de espaço, não mais as encontrei, mas guardo na lembranças o entusiasmo e a alegria com que transformaram a “minha escola Profª Sylvia M.Machado” em um ambiente de conhecimento e de troca de experiências. Terei sempre uma dívida de gratidão a todos que me ajudaram a percorrer aquele caminho. Foi um sonho sonhado junto. 

Novamente fui levada para outro ambiente, agora como supervisora de ensino. Já mais velha senti por várias vezes a sensação de não mais fazer a diferença, mas a força de colegas professores que acreditavam na Educação para a melhoria de vida dos alunos me encorajavam a continuar. Destes com que tive a sorte de trabalhar, guardo-os no coração, não os tenho no face ( salvo meu cunhado Orlando e minha colega de equipe Ioshi ). Mais tarde, quando fui a supervisora responsável pelo grupo de professores da Oficina Pedagógica, pude entender que o ensinar podia ser maior que a relação professor X aluno, podia haver o mesmo entusiasmo na relação professor X professor na procura do conhecimento. Daquele time também tenho amigas no face (Maria Rosa, Cidinha Pereira, Maria José, Maria Alice e Nadia Elui,). Não tenho contato com a Profª Lavize, mas todas, sem exceção, fizeram a diferença na vida profissional de muitos professores. Era muito bom ver que o olhar de entusiasmo continuava a existir.

Na vida, somos professores e alunos o tempo todo e aprendi muita coisa com pessoas generosas que me ajudaram e me ajudam nas estradas da vida, mas nunca me esqueci dos professores que deixaram boas recordações de minha infância. Foram eles que colocaram no meu olhar o brilho pelo aprender. Eles não sabem, mas fizeram profunda diferença nas opções de minha vida. Serão meus eternos professores. A eles a minha gratidão. Sei que a vida nos ensina muitas coisas, mas quem tem a felicidade de ter um professor pode aprender de maneira mais fácil as lições da vida.     


Feliz Dia do Professor a todos aqueles que resistem na árdua tarefa de ensinar mais que conhecimento; professores que representam paradigmas de lições de vida. A todos meus professores e colegas, desejo que as boas recordações superem as dificuldades e frustrações que a vida coloca dentro e fora da profissão. 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Reflexões

 




REFLEXÕES

SER PROTAGONISTA OU SER COADJUVANTE NA HISTÓRIA

A minha experiência profissional me fez perceber que o nosso sucesso pessoal e profissional depende de nosso esforço e capacidade de gerenciar conflitos dentro de duas situações que fatalmente estamos representando em nossa vida: ser protagonista ou coadjuvante em nossa história. Nem sempre o protagonista que idealiza é o que faz e que executa. Às vezes, o coadjuvante não aparece, mas é ele que realiza, por meio do trabalho coletivo. Ao liderar deixa de ser coadjuvante e se torna protagonista de suas ações.
Ao protagonista, senhor da ação, cabe a força de interlocutor, magnetismo pessoal, transferindo e impondo a sua marca. Esse é o seu legado: idealizar e antecipar resultados.  Mas, na maioria das vezes, precisa de outros (coadjuvantes) para que o sonho vire realidade. São outras mãos que o levarão ao sucesso, ou mesmo ao fracasso.  O sucesso ou fracasso está intimamente ligado a escolha de seus colaboradores (protagonistas ou coadjuvantes). Os frutos colhidos serão desfrutados por ambos.
No trabalho individual somos protagonistas quase sempre. É o nosso sonho que se realiza por pequenas tarefas que se avolumam e ganham corpo até o ápice final.
Na vida, ora somos protagonistas, ora coadjuvantes, sem desmerecer um ou outro papel, o importante é que saibamos trabalhar em equipe.

Tivemos um grande exemplo disso com a nossa Seleção de Futebol. O protagonista (o líder, o técnico) não soube escolher seus liderados. O líder em campo (o capitão) não soube liderar e os coadjuvantes, sem rumos, se perderam diante das seleções maiores e melhores. Cada jogador individualmente queria o sucesso, queria ganhar, tentou até ser protagonista, mas não tinha técnica e engajamento suficiente como equipe para ir mais longe. Não se vence com um só talento, uma só estrela. Ganhou o melhor, o que soube trabalhar em equipe. Os demais voltaram para casa.

Ao brasileiro restou o sonho desfeito e a certeza de que sabemos sonhar juntos. Juntos, somos invencíveis. Nós sabemos trabalhar em equipe. Seja na desgraça ou na vitória. Somos o povo brasileiro! Alegre, feliz, sem violência no estádio, sabendo respeitar o outro e aquele que ajuda e chora junto quando a necessidade aparece. Por isso, as manifestações de apoio de todos os países pela nossa gente. Houve problemas, transtornos, mas não pela torcida.

No nosso dia a dia, temos que tomar decisões como protagonistas ou coadjuvantes a todo instante. Em outubro, teremos outra batalha mais importante. Querer ganhar o jogo sem pensar no que vem pela frente, sem uma análise mais detalhada, é infantilidade. É o destino do País que está em jogo. É a nossa vez de ganhar a Copa. A Copa de nossas vidas. É hora de separar o “joio do trigo”. Acorda Brasil!



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013


2014

O encontro da PAZ interior, como fórmula para obtenção de uma plenitude pessoal, foi o que desejamos a todos para o ano que ora se finda e procurando, mas não deixando de lado o antigo desejo, encontramos três palavras que combinam com o Espírito de Natal e que podem alterar a nossa disposição para um novo Ano mais justo e adequado as realidades que estamos vivenciando:

FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE.

em um mundo mais humano, dentro do princípio “cristão” de um mundo melhor, com mais oportunidades a todos e onde todos se reconheçam dentro de uma única família: no trabalho, nas atitudes de solidariedade e de companheirismo; no lar, no respeito, na vontade de união e nos exemplos de amor.

ESPERANÇA na capacidade de cada um de se superar diante de novos objetivos, na busca de realizações pessoais e coletivas buscando sempre o “nós” no lugar do “eu”. Esperança em que as dificuldades passageiras sejam sempre incentivos para aprimorar nossas ações.

CARIDADE no sentido de solidariedade humana, no respeito ao próximo como nosso irmão, digno do nosso olhar mais atento às suas necessidades pessoais e sociais. Que esse olhar inspire atitude, ações do nosso dia a dia.

Pensamos que o Ano de 2014 deva ser o ano das nossas convicções pessoais, da melhoria da visão interior que temos do mundo e, consequentemente, de um mundo melhor.

Mais uma vez agradecemos pela sua amizade neste ano e reafirmamos que amizade não se agradece, se retribui.

Nós, Roberto e Leone e filhos, esperamos que continuemos assim em 2014, 2015...

FELIZ NATAL E BEM VINDO 2014.    

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Tempo de Primavera


Primavera

 A Primavera é a estação do recomeço. É o momento que renascemos com a esperança de dias melhores. Na verdade, o ano, em minha opinião, deveria começar com a primavera, pois é neste momento que as flores nascem e tudo fica mais bonito. É como se o branco frio do inverno se colorisse com as mais variadas cores, o “cinza” do outono se dissipasse junto com nossas tristezas e o calor sufocante e ansioso do verão se tornasse mais ameno.

A alegria da Primavera nos abre portas e janelas para um novo amanhecer. É o vento benfazejo da esperança soprando vagarosamente e nos enchendo de vida. Vida luz!  Primavera!

Viver a Primavera é nascer de novo. É retirar tudo que está a mais, tudo o que nos sufoca; retirar a couraça, o peso que colocamos nos ombros durante os dias frios. É tomar a água cristalina que nos faltou durante o calor dos dias em que tudo era urgente e necessário. É buscar o equilíbrio e se satisfazer com o que foi conquistado.

Sendo assim, a primavera que é a estação do começo, da vida criança, será também a estação da maturidade onde tudo é recomeço, deixando de lado o calor juvenil do verão, sufocado com as decepções do outono e o findar dos sonhos no frio inverno.  

Viver a primavera é viver com alegria. Alegria pela vida. Mais do que tudo, é a época de agradecer Àquele que nos proporcionou tudo o que somos e que está sempre pronto a nos dar uma nova chance. Ele que é Pai e Senhor. Deus!

domingo, 11 de agosto de 2013

Conversando com meu pai

Conversando com meu pai.

            Pai, já faz um ano! A todo instante lembramos-nos de você. E agora, pensamos também em nossa mãe, porque vocês tiveram uma velhice tão companheira, foram tão completos, que um está sempre junto ao outro em nossos pensamentos.
            Hoje, véspera do dia dos Pais e um ano de sua partida! Você sempre gostou de comemorar as datas especiais: seu aniversário, dia dos Pais, Dia do seu casamento. A comemoração era sempre a mesma: primeiro a missa, depois a Festa. Acho que foi por isso que Deus o levou um dia antes, para que pudéssemos celebrar com nossos filhos o Dia dos Pais com a mesma alegria que você comemorava essa data.   
            Agora, estamos tristes porque não o temos aqui, mas em nosso coração jamais estará ausente. Estamos presentes em uma missa pela sua alma, era assim que você sempre quis. É a nossa forma de dizer obrigado por ter permitido a nossa vinda a esse mundo, participado de nossas vidas e deixado saudade. Ela é agora a nossa companheira. A saudade vai doer sempre. Saudades de ambos, mas em algum lugar, bem perto de Deus, você está nos olhando e nos protegendo.
            Cuide sempre de nós, há lições que não apreendemos como viver com a ausência de ambos, mas sabemos que vocês farão tudo para que a saudade vire apenas uma doce lembrança. 

            Cuide da mãe por nós.  Com carinho. Seus filhos. Bjs.

Homenagem aos pais

Homenagem aos pais

            Nesta semana do Dia dos Pais penso em homenagear aquele que batalha conosco no dia a dia, na difícil tarefa de educar os filhos. Há um texto de Kalil Gibran , que fala sobre a missão dos pais em relação aos filhos, onde o autor nos diz que na verdade os filhos não são nossos, foram deixados para que cuidássemos deles, mas não é nossa propriedade.
            É verdade que aos pais cabem a tarefa de colocá-los no mundo, educá-los, fazê-los crescer como cidadão e sempre através de exemplos mostrarem o melhor caminho. Neste mundo moderno onde a família perdeu seu significado como transmissora de valores e preceitos e onde tudo é mutável, essa tarefa é árdua. Parâmetros de conduta são necessários para que os filhos cresçam e se tornem adultos responsáveis e atores no mundo futuro, mas muitos pais não se sentem preparados para enfrentar esse desafio: a educação na sociedade moderna dos dias de hoje. Os valores mudam a cada dia. O que ontem era permitido, hoje já não o é e vice-versa.
            Não quero aqui questionar, nem colocar nenhum juízo de valores.  É claro que o meio e as facilidades que o mundo apresenta podem influenciar, negativamente ou não, na formação de caráter das crianças e adolescentes, mas grande parte desta formação ficará sob a responsabilidade da família, em especial dos pais. Amor, compreensão e tolerância não devem faltar para que o resultado seja o melhor possível. Por isso, este dia é dedicado a aquele que é a nossa ajuda, o nosso apoio na condução para uma educação mais eficaz.        
            Que São José, pai de Jesus, ajude os pais a encontrar o melhor caminho.  

Texto de Kalil Gibran- dedicados aos pais.    

Teus filhos não são teus filhos
São filhos e filhas da vida, anelando por si própria
Vem através de ti, mas não de ti E embora estejam contigo, a ti não pertencem.
Podes dar-lhes amor, mas não teus pensamentos, pois que eles têm seus pensamentos próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois que suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar sequer em sonhos. Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis fazei-los semelhante a ti, pois a vida não recua; não se retarda no ontem.
Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados... Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para alegria.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Amor de amigo

Amor de Amigo

            Sábado ultimo foi comemorado o Dia do Amigo, daquele “amigo de fé, irmão camarada”.  
           Acho que Deus, quando nos presenteou com o sentimento maior que é o Amor, pensou em pluralizar ou distribuir de maneira fraterna, outro tipo de amor que nascesse da mesma matriz Divina, por isso com características semelhantes, mas distintas. Aí surgiu o amor de amigo, diferente de quaisquer outros amores, embora conservando alguns caracteres semelhantes: incondicional como o amor materno, com laços indissolúveis como o fraterno, protetor e seguro como o paterno e onipresente, pois mesmo longe fisicamente, conseguiriam ultrapassar as barreiras do tempo e se fazer presente nos corações em uma mesma sintonia de amizade.  
            Confesso que ao falar de Amigo do peito me vem na lembrança a letra que Roberto Carlos fez ao amigo Erasmo. Uma das coisas mais lindas que já vi de definições sobre amigo. Amigo: aquele que está ao meu lado em qualquer caminhada. É o verso que mais gosto, mas todas as definições contidas na música são maravilhosas.
              Acredito que o verdadeiro amigo é onisciente, mesmo estando longe, conhece a nossa trajetória e por isso está próximo sempre, mesmo que as mãos não consigam se apertar, o amigo do peito achará algum modo para sorrir ou chorar conosco, compartilhando de nossas tristezas e saboreando o nosso sucesso.
            Esse amigo do peito é realmente especial! Com ele não há cobranças, não há deslizes; não é possessivo e nem exclusivista, mas é fundamental na conexão entre duas almas irmãs. Foi escolhido por afinidades, pela magia que só o coração conhece. Chega sem esperar e ocupa um lugar privilegiado em nossas vidas. Quando precisamos dele, está sempre pronto a ouvir; quando fala não condena, apenas alerta, aconselha. Se o momento é de tristeza, ouve seus desabafos; se seu mundo desabou, nunca jogará a última “pá de cal” em seu infortúnio, mas lhe tirará do abismo quando seus sonhos se tornarem pesadelos. Mas, se estiver feliz, ele se unirá a sua felicidade, participará de seu sucesso e vibrará com sua alegria.
            Vale à pena ter um amigo do peito ou muitos. São jóias raras garimpadas nas minas da nossa história, nas páginas do livro da vida, por isso devem ser guardados com carinho no “ porta- jóia” que é o nosso coração.
            Muitas vezes nos esquecemos de considerar amigos, pessoas que passaram em nossas vidas como verdadeiros anjos, ajudaram a construir nossa história em momentos decisivos, preciosos e que sozinhos não teríamos a mesma chance. São pessoas imbuídas de amor solidário, do simples prazer de fazer o bem.  Conheci esses anjos em minha formação, em minha trajetória profissional e cada um deles tem um lugar reservado em minha memória, nas lembranças da minha existência. Colocados por Deus para delinear a nossa rota, ajudar a conquistar os nossos rumos, muitas vezes, são esquecidos por nós.  Na verdade, são mais que amigos, são os nossos Anjos da Guarda. A eles, o nosso eterno agradecimento.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

II- E agora, Brasil?

E agora, Brasil!

            Foi como se ondas do mar invadissem ruas e avenidas. Eram pessoas que vinham de todos os cantos gritando palavras de ordem e paz. A mesma paz estampada no peito, a cor branca nas vestes. Mas a palavra de ordem era verde amarela, as cores da nossa Bandeira. Seus lemas: paz e mudança social. E foi lindo admirar toda aquela beleza!
            Deixou de ser um movimento contra o aumento das tarifas nos transportes públicos (MPL– São Paulo) e tornou-se uma Nação em busca de sonhos. Uma Nação que clama por Justiça Social, principalmente com investimentos nas áreas de Saúde e Educação e em outras áreas que resultem em melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos. Mas, não podemos deixar de dar mérito a esse movimento que deu origem a toda essa comoção social.
            Não é uma luta partidária, é a luta de um povo contra os que detêm o poder, independente da cor de suas bandeiras. A responsabilidade não é mais do movimento, é de todos os brasileiros que ali estão.
            Muitos são estudantes de classe média, muitos não lutam por melhorias em sua vida, mas lutam por aqueles que não sabem e não podem falar e se silenciam diante da própria história, sofrendo em macas improvisadas nos corredores de hospitais públicos porque não têm como pagar um melhor atendimento; aqueles que sofrem por doenças acometidas por falta de saneamento básico, por falta de prevenção às doenças e outras mazelas, resignando-se com a sorte. Brasileiros com poucas chances de projeção social devido aos parcos investimentos em Educação e por uma política pública deficitária. Professores e médicos maus remunerados nos serviços públicos tratados sem o respeito devido à importância do cargo que ocupam e tendo como conseqüência uma desestruturação e abandono de carreira, o que contribui para a piora nos níveis de qualidade do serviço público.
            Os impostos são cobrados em tudo: nas roupas, na alimentação, nos serviços, um enorme número de siglas pagas diariamente em impostos, mas que não são revertidos ao bem comum ficando pelo caminho, surrupiados por mãos inescrupulosas para pagamento de propinas e enriquecimento ilícito. Descaso com o dinheiro público e com a fé do povo que já se acostumou com migalhas.
            E aí os jovens, sempre eles, saíram à rua para lutar por melhores condições de vida, juntaram-se a eles os que ainda acreditam em manifestações pacíficas pela causa. Jovens de hoje, de ontem, de sempre. Alguns mais privilegiados exigem o que foi tirado dos que nada têm. Isto é Civismo. Isto é Democracia.   
            Pessoalmente, acredito na cultura da Paz, na força dos diálogos em busca de soluções, acho muito difícil no meio de milhares de pessoas não haver indivíduos procurando o tumulto, a agressão desmedida, desestruturando todas as medidas para evitar um conflito, elaboradas pelo movimento. E foi isso que presenciamos nestes dias: De um lado a polícia, brasileiros como nós, treinados para nos proteger e estabelecer a ordem, acatando determinações superiores e tentando zelar pelo bem público, mas, como em todo movimento reivindicatório, alguns exageram em suas ações. Do lado dos manifestantes, alguns baderneiros de plantão depredam, picham e saqueiam e a policia, muitas vezes, é obrigada a intervir. Esses vândalos são um desrespeito aos milhares que ali estão pedindo paz. De onde vêm e quem são? Ainda é cedo para termos todas as respostas.
            Nessa disputa de força, trava-se uma verdadeira “guerra civil”e os dois lados perdem: o governo e o povo.
            Mas não podemos ficar indiferentes ao que vimos nestes dias de manifestações. Ninguém esperava essa força da mobilização. Os Estados se uniram em um abraço fraterno e as mãos entrelaçadas abraçaram o Brasil de Norte a Sul. Era a Democracia pedindo passagem.
            Que a força do movimento consiga transformações significativas para a vida de milhares de pessoas, mas tenho certeza que essas manifestações jamais serão esquecidas. Foi o dia em que David mostrou a Golias sua força.
            O que esperamos é que o Governo perceba que a força do povo não é só medida pelas Urnas em época de Eleições, ela também estará presente sempre que os interesses individuais ou de uma pequena parcela não representarem a voz do Povo Brasileiro.      
           







sexta-feira, 14 de junho de 2013

Desabafo

Desabafo!

            Esse governo que aí está (em todos os níveis) não me representa:

            Enquanto o diálogo não for a base das negociações, haverá guerra.
            Enquanto o confronto for o diálogo das reivindicações, haverá perdas.
            Enquanto as perdas não forem valorizadas como inconcebíveis, haverá tumulto. 
            No tumulto, no confronto, na guerra, todos perdem.
            Chega de perdas!   



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Meu Filho, você merece tudo!

Meu filho, você merece tudo!

            Li e reli o artigo no qual a autora, Eliane Brum, fala sobre a geração de hoje na classe média e da responsabilidade dos pais diante das dificuldades dos filhos no enfrentamento das dificuldades quando estas se apresentam.
            Em primeiro lugar, não gostei do título “Meu filho, você não merece nada”, mas em algumas afirmações concordo com ela, em outras não. Em todo caso é importante para a reflexão sobre o caminho que queremos desempenhar na vida de nossos filhos.
            Penso que ser pai, realmente, é querer a felicidade para os filhos. Ele vai estar sempre em primeiro lugar, mas é claro que o filho deve ser educado sabendo das dificuldades que poderá encontrar, mas cada um vai reagir de forma diferente diante delas. Isso tem muito a ver com a personalidade de cada um, com o meio em que estiver convivendo e com as condições financeiras ou afetivas que estiver envolvido. Uma árvore tem que ser regada desde pequena, embora muitos galhos não cresçam em uma única direção e muitos terão de ser cortados ao longo da vida. É o eterno conflito entre opções e conseqüências.
            Não existe uma receita, uma bula que nos indique como educar o filho, mas existe sim o exemplo que será sempre melhor que qualquer cartilha ou artigo. Generalizar, rotular é muito preocupante e chega a ser preconceituoso em relação à dedicação dos pais em dar o melhor aos filhos. Não sou “expert” no assunto, mas já estudei e li o bastante para exteriorizar minha opinião. Posso não ter sido a mãe ideal, pois aprendemos com nossos erros, mas sei que exemplo e uma educação visando à ética e responsabilidade é um bom começo. Se o filho for educado com exemplos de esforços, ele saberá que a vida não é fácil. Ele compreenderá que a vida não é um conto de fadas, mas que pode contar com os pais em qualquer situação. A procura da felicidade deve nortear sua vida e num lar feliz, isso será bem mais fácil. Fujo sempre das generalizações.
            Às vezes, os pais pecam pelo excesso de zelo, querem que os filhos tenham a melhor educação formal, se sacrificam para isto, mas dar a melhor educação formal e prepará-los para o mundo competitivo não é pecado, desde que isso não lhe custe a sua própria sobrevivência. A educação formal “melhor” nem sempre é a mais cara, depende mais do aluno do que da escola ou do professor. O esforço e o interesse do aluno, muitas vezes, dependem de como os pais vêm essa relação “educação X escola” dentro de casa. Políticas públicas em Educação visando à qualidade facilitarão esse entrave e oportunizarão a ascensão profissional.
            Os filhos da classe média, em sua maioria, sabem que a vida não é fácil, viram os pais se esforçando para lhes dar uma vida melhor do que tiveram, sabem reconhecer esse esforço, muito mais do que os filhos que nunca tiveram nada ou os que nunca lhes foi negado nada. No primeiro caso, porque já nascem com muitas frustrações, matam “um leão a cada dia”, têm que pensar no presente, muitas vezes sem vislumbrar o futuro e, no segundo caso, porque não tiveram como modelo o trabalho, sempre lhes foi dado tudo de “mão beijada” porque os pais desfrutam dessa vida. Muitos pais também têm uma vida onde o dinheiro é o que compra tudo. Nesses casos, penso ser mais difícil lidar com as dificuldades, se as regalias lhes forem tiradas. Mesmo assim, há casos e casos... Como dizia Santo Agostinho “a virtude está no meio termo”.
            A autora afirma que os filhos desta geração “foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram e quando isto não acontece- sentem-se traídos, revoltam-se com “a injustiça” e boa parte se emburra e desiste”.  No meu entender, como a autora está falando da relação no mercado de trabalho, acho positivo que eles aspirem e pensem que merecem o melhor, revoltem-se com as injustiças, mas isso só os fará crescer, progredir. É lógico que se o que aspirarem não for adequado com o seu preparo profissional, eles se sentirão frustrados, poderão até desistir, mas se tiverem dos pais apoio e confiança para aquele momento, buscarão novos rumos. Essa reciprocidade de confiança, às vezes, vêm de pessoas ligadas a eles, nem sempre dos pais.
            Concordo com a autora da necessidade de ética e honestidade- e não a cotoveladas ou aos gritos- na condução dos conflitos e que viver é para os insistentes e que para conseguir um espaço no mundo é preciso “ralar muito”, mas, em minha opinião “felicidade é um direito”, os pais devem sim tentar, se possível, dar-lhes o melhor e protegê-los quando for preciso, mas esperando sim “responsabilidade e reciprocidade”. Isto se aprende com exemplos de responsabilidade e reciprocidade dentro de casa.
            Se por algum motivo financeiro os pais frustrarem os filhos, isso não deve ser sinônimo de fracasso pessoal, mas de busca de novas soluções. Muitos filhos superam os pais na condução de sua vida profissional e aí os papéis se invertem. São eles que seguram o barco e o transportam para águas mais calmas. Genialidade e esforço muitas vezes caminham juntos e não são exclusivas das classes A, B ou C.
            O importante é que a felicidade não esteja centrada somente nos bens materiais, mas que o esforço seja um quesito para que cheguem lá. Com os avanços tecnológicos que o mundo dispõe essa geração da classe média, objeto do artigo, sabe que é complicado viver e que precisa cada vez mais do incentivo e apoio dos pais ou das pessoas que lhes são caras. Sofrerá frustrações, pensará em desistir muitas vezes, mas nessa briga sempre os pais serão seus melhores aliados. Se isso acontecer, não perderá tempo se sentindo injustiçada porque a batalha está a sua frente.
            Mostrar o mundo do jeito que ele se apresenta hoje, é importante. Os pais não devem fingir que está tudo bem, mas também é sua função encorajar os filhos a seguir em frente. Na vida erramos, acertamos, nos frustramos, ganhamos ou perdemos, mas é isso que nos impele na busca pela felicidade; é isso que nos mantém vivos. Ter a consciência tranqüila que fizemos o melhor é o bastante.
            “Filho, você merece tudo”, mas esse “tudo” está inteiramente ligado ao que posso lhe proporcionar sem me anular como pessoa. Serei feliz se você conseguir muito mais que eu, porque eu o coloquei no mundo, eu o desejei. A mim foi dada a incumbência de “tentar” fazer o melhor. Se não consegui, não me sinto frustrada porque a responsabilidade pelos seus atos também é sua.

            Como dizia o Pequeno Príncipe: “Tu és responsável por tudo que cativas”. Sou responsável por você porque o cativei, mas você também é responsável por suas escolhas. O importante é que estamos juntos nessa batalha. Viver é uma luta, é preciso, realmente, muita coragem sem nenhuma garantia, mas a procura da felicidade ainda é o melhor caminho. Essa felicidade é um direito seu e a busca é que torna a vida interessante.  Seja feliz sempre!                                              (Leone A.Vieira)